
No último final de semana, circulou pela internet um vídeo gravado em 2025, na inauguração da Unidade de Terapia Intensiva do hospital regional Dom Moura, em Garanhuns, onde a governadora Raquel Lyra (PSD) em uma conversa, externa a possibilidade da realização de laqueaduras, digamos que “forçadas”, ou sem o consentimento/autorização de mulheres atendidas pela saúde pública estadual.
O recorte do vídeo foi veiculado inicialmente pelo portal Metrópoles, e posteriormente virou notícia em vários sites e jornais, repercutindo nacionalmente e afetando a imagem de Raquel Lyra perante a opinião pública.
Veículos como G1, Folha de São Paulo, O Globo também publicaram matérias repercutindo acerca do episódio e das falas da governadora.
Sobre o fato, muitas organizações e entidades representativas das mulheres externaram críticas e repúdio às falas de Raquel, a exemplo da União Brasileira de Mulheres (UBM), que julgou a declaração emitida pela governadora como inadmissível, uma vez que, ao falar que a cirurgia de laqueadora poderia ser feita “sem a paciente saber” ataca diretamente a autonomia, a decisão acerca da maternidade e sobre a própria capacidade reprodutiva
De acordo com a UBM, “o corpo das mulheres não pertence ao Estado, ao marido, à família, aos profissionais de saúde ou a qualquer autoridade. Toda decisão deve ser tomada com informação, liberdade e consentimento”.
De acordo com a nota da UBM, “não podemos tratar essa fala de forma isolada. O avanço da extrema direita também se expressa na tentativa de relativizar direitos e ampliar o controle sobre os corpos das mulheres”.
Sobre o fato, a governadora publicou um vídeo pedindo desculpas pelas palavras ditas, informando que tais comentários não refletem a sua opinião e posicionamento sobre o assunto.
Para Raquel, o fato deve ser encarado como uma fala equivocada, e que por isso, pediu desculpas pela situação. “Como mãe e mulher, sei dos desafios de criar os filhos e tomar decisões sobre planejamento familiar”, externou a governadora.
Sobre a situação, alguns movimentos sociais estão convocando, para esta segunda-feira (21), às 16h, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, um ato político em favor da autonomia reprodutiva das mulheres e em repúdio às falas da governadora.





