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    EDITORIAL: Quem viveu o passado foi às urnas defender o futuro

    O segundo turno das eleições foi marcado, dentre outros aspectos, pela participação expressiva de eleitores idosos. Homens e mulheres com 70, 80, 90 e até 100 anos compareceram às urnas, em cenas que evidenciaram a importância da participação democrática independentemente da idade.

    Em diferentes locais de votação, idosos com mobilidade reduzida, cadeirantes e pessoas com dificuldades para caminhar precisaram de auxílio para chegar às seções eleitorais. Alguns foram amparados por familiares e acompanhantes, enquanto outros receberam ajuda da propria equipe do TRE, para assim superarem as barreiras físicas e exercerem direito de escolha.

    Mais do que um gesto individual, essa mobilização representa a permanência de uma geração que acompanhou profundas transformações políticas e sociais no Brasil e que continua reivindicando espaço nas decisões que afetam o presente e o futuro do país.

    Os números reforçam essa presença. Segundo levantamento do Movimento Voto 70+, realizado com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 8,77 milhões de eleitores com 70 anos ou mais compareceram às urnas no primeiro turno de 2026, diante de 6,13 milhões registrados em 2022 — um aumento de aproximadamente 43%.

    A abstenção nessa faixa etária também apresentou uma redução significativa: caiu de 58,8%, em 2022, para 49,1% no primeiro turno deste ano. O eleitorado com mais de 70 anos passou de 14,89 milhões para 17,25 milhões de pessoas aptas a votar no mesmo período.

    Os dados mostram que, apesar de o voto ser facultativo a partir dos 70 anos, milhões de brasileiros dessa faixa etária decidiram participar do processo eleitoral. No Nordeste, a abstenção entre esses eleitores caiu de 56,7% para 45,3%, uma das reduções regionais mais expressivas do país.

    No final, a eleição presidencial foi concluída com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização dos eleitores idosos ocorreu em um cenário de disputa acirrada e de atenção especial à redução da abstenção.

    Embora o crescimento da participação dos maiores de 70 anos tenha ampliado o número de brasileiros presentes nas urnas, os dados de comparecimento, isoladamente, não permitem afirmar que esse grupo foi determinante para o resultado final. Para estabelecer essa relação, seria necessário considerar também as preferências eleitorais e a distribuição dos votos por faixa etária.

    Ainda assim, a mensagem deixada por quem enfrentou dificuldades para votar vai além de qualquer disputa partidária: envelhecer não significa abandonar a cidadania, perder a voz ou deixar de participar das escolhas coletivas.

    Quem viveu diferentes capítulos da história brasileira também tem o direito de participar da construção dos próximos. Afinal, o passado guarda experiências, o presente exige participação e o futuro pertence a todas as gerações.

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