
A convenção estadual do PSD, realizada no último domingo (03) no Recife, serviu para demonstrar a musculatura e a capacidade política da governadora Raquel Lyra (PSD).
Ao oficializar sua pré-candidatura à reeleição, ao lado da vice-governadora Priscila Krause (PSD) e compondo a chapa majoritária ao Senado, com os deputados federais Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), o palanque de Raquel exibiu forte densidade partidária e capilaridade eleitoral.
Contudo, por trás da demonstração de força, a convenção não conseguiu superar a dificuldade de vincular a imagem da gestora com o presidente Lula (PT). A tenntativa de construir essa “ponte” entre o Palácio do Planalto e Raquel, pelo que foi visto, ficou sob o comando de Túlio Gadêlha.
Vestindo camisa vermelha e discursando para uma militância diversa, o parlamentar buscou evocar em seu discurso, uma narrativa petista, convocando o público a “fazer o L” e se colocando formalmente como o fiador de uma eventual aproximação entre a governadora e o presidente. Porém, frente a programação do evento, o movimento soou muito mais como uma peça isolada
E um dos pontos que merece destaque para isso é a própria aliança que a governadora tem com as legendas do centro, da centro-direita e de setores conservadores — como o PP de Eduardo da Fonte e o União Brasil de Miguel Coelho. São forças políticas que, nacional e localmente, guardam certa distância do PT e disputam o mesmo eleitorado que rejeita a hegemonia petista.
Em síntese, os esforços pontuais de Túlio Gadêlha em trazer o pragmatismo da cor vermelha para o palanque palaciano, tende a esbarrar na dura realidade eleitoral que cerca a governadora. Por mais que a chapa Raquel/Priscila ostente capilaridade nos municípios e uma máquina administrativa a pleno vapor, a tentativa de “vender” uma imagem aliada ao presidente Lula carece de verossimilhança.
Porém, o jogo eleitoral está apenas começando, e Raquel Lyra já mostrou que tem múltiplas habilidades para reverter as adversidades, quem sabe, frente ao fato, a governadora consiga casar o “roxo ao vermelho”.





