
Na política, promessa de voto só vale depois que a urna confirma. E é justamente aí que o ex-prefeito de Olinda Professor Lupércio (PSD) começa a enfrentar um problema que pode ser maior do que parece.
De olho em uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Lupércio terá que provar que ainda conserva o mesmo capital eleitoral dos tempos em que comandava a Prefeitura de Olinda. E a missão não será simples: além de tentar eleger-se deputado estadual, terá de administrar seu espólio político entre duas candidaturas a deputado federal, Daniel Coelho (PSD) e Juliana Chaparral (União Brasil).
Daniel recebeu oficialmente o apoio de Lupércio e da prefeita Mirella Almeida (PSD), consolidando uma dobradinha que, no papel, parece promissora. O problema é transformar fotografia, discurso e apoio político em votos. E essa pode ser a parte mais difícil da equação.
Daniel Coelho conhece bem o eleitorado olindense. Já foi deputado estadual e federal e, em eleições anteriores, ultrapassou a marca de 7 mil votos no município. Agora, de volta à disputa por uma vaga em Brasília, aposta na estrutura política de Lupércio e Mirella para praticamente dobrar sua votação.
Mas há um detalhe que não pode ser ignorado: Lupércio também tem compromisso com Juliana Chaparral. Inicialmente, a parceria com Juliana era apresentada como uma articulação concentrada em Paulista.
Só que a movimentação política dos últimos meses indica algo mais amplo. Lideranças ligadas ao ex-prefeito de Olinda passaram a atuar na campanha da candidata, dividindo um grupo que, teoricamente, também deveria estar trabalhando para fortalecer Daniel.
É nesse ponto que a promessa dos 15 mil votos começa a parecer uma conta difícil de fechar. Lupércio pode até ter anunciado que entregará uma votação robusta a Daniel, mas será preciso combinar com as lideranças, com a militância e, principalmente, com o eleitor. Afinal, ninguém controla voto como se controla uma secretaria ou uma máquina administrativa.
Além disso, o desgaste da atual gestão de Mirella Almeida acrescenta outra variável à equação. A prefeita é a principal herdeira política de Lupércio, mas uma administração com dificuldades de aprovação não necessariamente consegue transferir para seus candidatos a força eleitoral que o grupo gostaria.
A eleição de 2026, portanto, será mais do que uma disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Para Lupércio, será um verdadeiro teste de sobrevivência política. Se Daniel chegar perto dos 15 mil votos prometidos, Lupércio poderá reivindicar o mérito e mostrar que seu grupo ainda possui musculatura eleitoral em Olinda.
Mas, se a votação ficar muito abaixo da promessa, a pergunta inevitavelmente ficará no ar: Lupércio ainda é capaz de entregar os votos que diz ter ou seu espólio eleitoral já não é tão grande quanto parece? A resposta, desta vez, não virá de um palanque. Virá das urnas.





