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    Novo discurso de Mendonça confunde até seus eleitores mais fiéis

    ​O início da propaganda eleitoral gratuita, expôs a estranha metamorfose narrativa de Mendonça Filho (PL), que concorre no estado, para uma das vagas ao Senado Federal.

    Mendonça, que historicamente se constituiu como um quadro da direita mais tradicional, atualmente faz parte do PL, partido da família Bolsonaro. No entanto o ex-governador e ex-ministro, construiu seu perfil político, sobretudo nas fileiras do PFL, DEM e União Brasil, organizações partidárias detentoras de uma linha de atuação mais moderada, se compararmos com as teses defendidas pela extrema direita bolsonarista.

    Porém, o que percebemos nessa mudança de partido, por parte de Mendonça, foi também o surgimento de uma nova retórica abertamente conservadora, por parte do candidato, o que provocou certa estranheza, sobretudo em sua base eleitoral mais antiga.

    ​Mendonça, cuja trajetória pública sempre foi associada à gestão técnica, ao municipalismo e ao equilíbrio federativo no centro-direito, agora alinha seu discurso de campanha a pautas de forte apelo bolsonarista, como a defesa intransigente da redução da maioridade penal, rigidez nas audiências de custódias etc.

    Tal mudança de tom, reflete, sobretudo a busca por um protagonismo no palanque bolsonarista, e principalmente, para tentar absorver os votos desse eleitorado conservador.

    ​No entanto, a transição entre o perfil de “quadro de Estado” para o de “bolsonarista” vem sendo recebida com ceticismo, tanto por analistas, quanto pelos eleitores tradicionais do próprio parlamentar.

    Para o eleitor do PFL/DEM, acostumado ao estilo moderado e articulador de Mendonça, esse novo tom panfletário tem soado, de certa maneira, como uma conduta até desconectada ao seu legado.

    ​Ou seja, a adesão às pautas de costumes, por parte de Mendonça, tem sido compreendida, sobretudo, como uma manobra de sobrevivência, na disputa do eleitorado bolsonarista.

    ​Agora, o que resta é saber, se o cálculo pragmático de Mendonça, ao abraçar o bolsonarismo, será suficiente para mobilizar a extrema-direita, sem derreter o capital político que ele acumulou ao longo de décadas na direita tradicional, culmine na sua vitória, na corrida ao Senado Federal.

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