
O Brasil voltou a registrar um cenário alarmante de violência contra as mulheres. Os dados divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 mostram que os casos de feminicídio e de outras formas de violência de gênero continuam em alta, reforçando o desafio das autoridades para conter esse tipo de crime no país.
Segundo o levantamento, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde a criação da tipificação penal do crime, em 2015. O total representa um crescimento de aproximadamente 4% em relação ao ano anterior, consolidando o quarto aumento consecutivo nos registros. Além disso, foram contabilizadas 4.189 tentativas de feminicídio, evidenciando que a violência extrema contra mulheres segue em expansão.
Os números também revelam que, para cada feminicídio registrado, há centenas de outros casos de violência. O país contabilizou cerca de 500 ameaças, 182 agressões e 79 ocorrências de perseguição (stalking) para cada mulher assassinada em razão do gênero, demonstrando que o feminicídio representa apenas a face mais grave de um problema estrutural.
O perfil das vítimas permanece semelhante ao dos anos anteriores. A maioria é composta por mulheres negras, jovens e assassinadas dentro da própria residência. Em grande parte dos casos, o autor do crime é o companheiro ou ex-companheiro da vítima, reforçando que a violência doméstica continua sendo o principal ambiente para a ocorrência desses assassinatos.
Especialistas alertam que o aumento dos registros pode estar relacionado tanto à melhoria na identificação e notificação dos casos quanto ao agravamento da violência de gênero. Apesar dos avanços na legislação e das políticas públicas de proteção, os indicadores mostram que ainda há dificuldades na prevenção, na fiscalização das medidas protetivas e na interrupção do ciclo de violência antes que ele resulte em morte.
O levantamento reforça a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, fortalecer a rede de proteção às mulheres e garantir maior efetividade no cumprimento das medidas judiciais, além de incentivar denúncias e ações educativas para combater a violência de gênero em todo o país.





