
A campanha eleitoral entra, a partir desta sexta-feira, em uma nova etapa. Com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, candidatos passam a ter um dos principais instrumentos para alcançar o eleitorado e, principalmente, disputar narrativas.
Em Pernambuco, esse momento ganha ainda mais peso diante de uma eleição marcada pela forte polarização entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD), que disputam o comando do Estado pelos próximos quatro anos.
Até aqui, as redes sociais e os atos de rua têm ocupado grande espaço na estratégia dos candidatos. Agora, o guia eleitoral amplia o alcance da disputa e pode ser decisivo para consolidar a imagem dos dois principais concorrentes — ou até mesmo alterar a percepção de parte do eleitorado.
João Campos deverá explorar sua passagem pela Prefeitura do Recife como principal vitrine eleitoral. Obras e entregas nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e lazer estarão entre os argumentos para apresentar uma gestão com capacidade de realização. Hospitais, creches e intervenções urbanas devem aparecer como símbolos de sua administração.
Raquel Lyra seguirá por outro caminho. A governadora deverá apostar no discurso de que conseguiu reorganizar as contas públicas de Pernambuco, além de destacar concursos públicos, obras de pavimentação, investimentos em infraestrutura e ações realizadas em parceria com os municípios.
Mas o guia eleitoral não será apenas um espaço para apresentar realizações. A disputa também deverá ser marcada pelo confronto direto.
João Campos terá a oportunidade de explorar promessas feitas por Raquel Lyra na campanha anterior que, segundo seus aliados, não foram cumpridas. Entre os pontos que poderão ser utilizados estão a promessa de criação de 60 mil vagas em creches e os questionamentos sobre a construção de novos hospitais durante o atual mandato.
Raquel Lyra, por sua vez, deverá insistir na narrativa de que encontrou um Estado com dificuldades financeiras e responsabilizar administrações anteriores do PSB pela situação. Nesse discurso, João Campos também poderá ser atingido politicamente, por ter participado da gestão do ex-governador Paulo Câmara.
O início do guia, portanto, representa mais do que uma mudança na programação eleitoral. É o momento em que os candidatos passam a disputar diariamente a atenção do eleitor em um espaço de grande alcance.
A propaganda eleitoral poderá influenciar as próximas pesquisas, especialmente entre os eleitores que ainda não definiram completamente seu voto. E, à medida que a campanha avançar, a tendência é de que o eleitor fique mais atento às propostas, aos ataques e, principalmente, às contradições apresentadas pelos dois lados.
A eleição pernambucana entra agora em uma fase mais intensa. João Campos e Raquel Lyra terão tempo para apresentar suas versões, defender seus governos e atacar os pontos vulneráveis do adversário.
No fim, a disputa será também pela capacidade de convencer o eleitor sobre qual narrativa representa melhor o futuro de Pernambuco.





