
O assassinato do conselheiro tutelar Jerônimo Bilau de Santana Júnior, de 31 anos, coordenador do Conselho Tutelar de Itambé, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, reacendeu o debate sobre a segurança dos profissionais responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes. O crime ocorreu nesta quarta-feira (8), quando a vítima foi morta a tiros por homens que estavam em uma motocicleta.
De acordo com informações divulgadas por colegas de trabalho, Jerônimo já vinha sofrendo ameaças. Há cerca de duas semanas, ele teria relatado a outro conselheiro que percebeu estar sendo seguido por uma motocicleta. Apesar de ter sido orientado a procurar a polícia, não registrou a ocorrência.
A Polícia Civil de Pernambuco instaurou um inquérito para investigar a autoria e a motivação do homicídio. O caso gerou forte comoção e reforçou a discussão sobre a necessidade de ampliar a proteção aos conselheiros tutelares, profissionais que diariamente atuam na defesa dos direitos de crianças e adolescentes e, muitas vezes, enfrentam situações de risco.
Especialistas e representantes da categoria defendem a criação de políticas permanentes de segurança, incluindo proteção institucional, apoio policial em casos de ameaça, acompanhamento psicológico, assessoria jurídica, capacitação contínua, melhores condições de trabalho e protocolos nacionais de proteção para conselheiros ameaçados.
A morte de Jerônimo também chama atenção para o desconhecimento da população sobre o papel do Conselho Tutelar. Os conselheiros não criam leis, nem tomam decisões por vontade própria. Sua atuação é baseada nas atribuições estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), garantindo a proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
O assassinato evidencia que aqueles que dedicam suas vidas à defesa da infância também precisam de proteção, reconhecimento e condições adequadas para exercer uma função essencial à sociedade.





