
A entrega das obras de restauração de importantes joias do patrimônio histórico de Olinda, nesta terça-feira (30), transformou-se no mais novo capítulo da acirrada disputa por protagonismo político em Pernambuco.
A governadora Raquel Lyra (PSD) e a prefeita Mirella Almeida (PSD) celebraram a devolução de templos icônicos, como o Mosteiro de São Bento e a Igreja de São Pedro, fruto de um investimento que supera os R$ 21 milhões. Contudo, o tom puramente municipalista e estadual dos discursos, que omitiu sistematicamente a participação da União, gerou imediata reação da esquerda local e acendeu os holofotes sobre a guerra de narrativas para as eleições majoritárias.
O “silêncio ensurdecedor” das gestoras partidárias repercutiu fortemente no diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT). O presidente da legenda em Olinda, Hélder Pires, utilizou suas redes sociais para criticar duramente a postura da governadora e da prefeita, classificando o episódio como uma tentativa deliberada de “invisibilizar” o Governo Federal.
Segundo o dirigente petista, grande parte do montante alocado nas requalificações provém de repasses, convênios e articulações diretas ou indiretas da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja via emendas ou por meio de órgãos técnicos federais como o Iphan.
Essa estratégia de “nacionalismo seletivo” adotada por Raquel Lyra expõe a ambiguidade de sua engenharia política para 2026.
Ao tentar nacionalizar os ganhos apenas nos bastidores e manter uma vitrine exclusivamente estadual nas ruas, a governadora estica a corda com a base governista federal.
E o tensionamento provocado pelo PT de Olinda já serve como um alerta claro: a federação e os partidos alinhados a João Campos (PSB) vão cobrar, centavo por centavo, a coautoria de cada ordem de serviço executada no estado com dinheiro da União.





