
Historicamente, o calendário festivo de Olinda consolidou-se, principalmente a partir do Carnaval. E disso, emergiu uma espécie de hiato cultural em outros momentos festivos, a exemplo do período junino.
Um tabu que infelizmente foi alimentado por sucessivas gestões, culminando em uma ausência de um ciclo de São João na cidade, empurrando assim, o olindense para os municípios vizinhos ou para o interior.
No entanto, encerrado o ciclo junino deste ano, podemos avaliar que a prefeita Mirella Almeida (PSD) tomou a decisão correta e apostou em fazer um São João na cidade. E o que é melhor, multicultural, descentralizado e viável ao orçamento municipal.
Uma decisão que merece ser valorizada, tanto no aspecto político, quanto no logístico. Já que em vez de centralizar os investimentos em um só evento, a prefeitura optou por pulverizar o fomento em diversos territórios da cidade.
E o balanço oficial foi bem positivo, já que foram mais de 30 dias de programação e 60 ações culturais espalhadas pelas comunidades, democratizando o acesso à cultura e, simultaneamente, oxigenando o comércio dos bairros.
Do Sítio Histórico à periferia, a descentralização proposta pela prefeita Mirella rompeu barreiras e por meio da própria potencialidade cultural de Olinda, proporcionou aos munícipes e ao público geral uma programação rica e plural.
Os olindenses puderam assim, dançar forró e também festejar com as diversas tradições presentes na cidade, a exemplo das sambadas de coco, como a do Pneu, do Xambá, de Sant’ana e de Arueira ou dos Afoxés, destacando, sobretudo, o Alafin Oyó.
Soma-se a tudo isso, a realização de eventos maiores, também distribuitos pela cidade, como o 21º Forró de Salú, a Frevodrilha, Beguiri de Xangô, o Festival de Quadrilhas Juninas em Rio Doce e os “Acorda Povo” do Condor, de Cabo Gato e de Seu Manuel no Sítio Histórico.
E por fim, também merece o nosso destaque, a presença das agremiações carnavalescas na programação junina de Olinda, que realizaram seus arraiais e cortejos, a exemplo dos blocos, Menino da Tarde, Boi da Macuca, Lenhadores Olindense, John Travolta, Menino de Rio Doce, Cachorro Teimoso etc.
Tudo isso fez parte de uma programação junina que, de fato, fazia tempo que a população não via em Olinda.
E por derradeiro, cabe também valorizarmos a produção da Arena Olinda, erguida na Praça do Fortim do Queijo, que fez a convergência entre o período junino e a cobertura da Copa do Mundo, unindo a transmissão dos jogos da Seleção Brasileira a grandes shows; e o Circuito do Milho, que movimentou os bairros de Peixinhos, Rio Doce, Sítio Novo e Tabajara.
Eventos que mostraram o acerto da prefeita Mirella Almeida, provando que, o resgate das tradições populares – do sítio histórico às periferias, bem como a união entre agentes e coletivos culturais junto ao poder público, podem efetivar construções positivas para o povo e para a cidade.
Pois bem, que venham os próximos festejos, uma vez que o receituário foi construído, executado e aprovado.





