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    EDITORIAL: Os números de Raquel Lyra – mesmo com 51% de aprovação, governadora tem apenas 24% do eleitorado

    Na última semana, foi publicada os resultados da pesquisa Genial/Quaest, que foi realizada entre 13 e 17 de agosto, envolvendo 1.104 entrevistados, distribuído por todo estado. E de acordo com os números, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), segue na liderança da corrida para o governo do estado em 2026, com 55% das intenções de voto.

    Já a governadora Raquel Lyra (PSD) aparece com 24% das intenções. Com esses números, a diferença, superior a 30 pontos percentuais em relação a João Campos, é a maior, até então já registrada.

    Entretanto, apesar do cenário eleitoral desfavorável, a gestão de Raquel apresenta bons índices de aprovação: 51% dos pernambucanos avaliam positivamente seu governo. Entre as áreas mais bem avaliadas estão Educação (57%), Habitação (42%) e Saúde (40%), o que indica uma percepção de eficiência administrativa.

    Raquel também conta com uma ampla base de prefeitos, tendo a maioria das gestões municipais alinhadas ao seu governo, além de deputados e lideranças eleitorais relevante. Mas, porque a governadora, mesmo com tantos trabalhos apresentados e um palanque relativamente cheio, se apresenta tão tímida na corrida eleitoral de 2026?

    Avalia-se que Raquel Lyra tem tido dificuldades em transformar a aprovação do seu governo em capital político. E alguns especialistas apontam três fatores para isso.

    O primeiro seria a fragilidade de sua base de apoio — especialmente no relacionamento com a Assembleia Legislativa. Nem os deputados governistas tem conseguido avançar com as demandas de seus mandatos na agenda do poder executivo estadual. Para além disso, ainda há certa ausência de um setor de articulação que consiga dá o tom político da gestão, e assim, consolidar melhor as alianças, principalmente nos municípios.

    Soma-se a isso, a ausência de uma marca consolidada de governo. Diferente de gestões pretéritas, que ficaram associadas a programas emblemáticos, como o Chapéu de Palha (Miguel Arraes), a duplicação da BR-232 (Jarbas Vasconcelos), as Escolas em Tempo Integral (Eduardo Campos) e o Ganhe o Mundo (Paulo Câmara), Raquel ainda não conseguiu imprimir um projeto que se torne referência de sua administração.

    Mesmo com iniciativas como o “Juntos pela Segurança” e o “Juntos pela Educação”, além de ações como a “Carreta da Mulher Pernambucana”, a governadora ainda carece de um “carimbo” que fixe sua imagem junto à população.

    “A governadora as vezes trata a política semelhante a uma liderança comunitária, ou seja focando muito no localismo e preterindo temas maiores e projetos estruturantes para o estado. Revitalizar estradas, nomear servidores e e fazer escutas é pouco para a primeira mulher da história, a governar Pernambuco. Ela precisa ter uma agenda de desenvolvimento que consiga olhar mais para futuro e para novas perspectivas voltadas aos pernambucanos, mas sobre isso, Raquel Lyra infelizmente pensa e debate pouco. Parece até que seu grupo ainda insiste em vê-la como a “prefeita de Caruaru”, e evidentemente ela é maior que isso”. Refletiu um aliado palaciano (que não quis se indentificar) ao Diário de Olinda.

    E por derradeiro, percebe-se fragilidades em alguns nomes do secretariado estadual e da assessoria política da governadora, que ao que parece, não tem “vestido de fato a camisa da gestão”, exceto a vice-governadora, Priscila Krause (PSD) e o secretário de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, Daniel Coelho (PSD), a tropa de frente de Raquel Lyra tem atuado na política de forma tímida.

    Do outro lado, João Campos carrega um forte capital simbólico: neto de Miguel Arraes, e filho de Eduardo Campos, dois ex-governadores marcantes, criando assim uma associação positiva de sua trajetória política, a uma herança familiar consolidada. Como prefeito do Recife, ele busca aliar a executação do seu programa de governo, a uma robusta estratégia de comunicação, solidificando seu nome como uma liderança estadual (e nacional). E esse receiturário tem lhe garantindo vantagens no cenário eleitoral.

    Comparando com a pesquisa de fevereiro de 2025, João Campos tinha 56% contra 28% de Raquel. Desde então, o prefeito perdeu apenas 1 ponto, enquanto a governadora recuou 4. Já os recortes regionais mostram que a governadora tem maior força no interior, mas enfrenta rejeição expressiva no Recife, reduto político do PSB.

    Em resumo, visto as pesquisas, percebemos que os números revelam que a disputa não se define apenas pela avaliação administrativa, pois a governadora Raquel Lyra, mesmo conquistando a boa aprovação de sua gestão, é João Campos, que de fato tem transformado seu capital político e histórico familiar em favoritismo eleitoral. E olhe que a governadora tem trabahado bastante, contudo, existem debilidades que precisam ser sanadas, caso ela queira ser reeleita, em 2026.

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