
Embora as eleições de 2026 só aconteçam em outubro, os bastidores da política nacional já estão em ebulição. Articulações, acordos e alianças começam a ganhar forma e, em alguns estados estratégicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de fazer escolhas que podem influenciar diretamente o seu projeto de reeleição.
Lula, que foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao Palácio do Planalto em 2023, se prepara para disputar o que pode ser uma das eleições mais complexas de sua trajetória.
Mesmo liderando cenários eleitorais em algumas sondagens nacionais, o presidente já não conta com os altos índices de aprovação registrados em seus primeiros mandatos, quando chegou a ultrapassar 80% de popularidade.
Por isso, a construção de uma ampla coalizão política volta a ser um fator decisivo. E, nesse tabuleiro, Pernambuco aparece como um dos estados mais sensíveis e estratégicos para Lula.
No estado, o presidente terá que lidar com um cenário eleitoral que tende a ser um dos mais disputados do país. De um lado, o prefeito do Recife,
João Campos (PSB), que também preside nacionalmente o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin. Do outro, a governadora Raquel Lyra (PSD), que buscará a reeleição e tem ampliado sua base política no estado.
Pesquisas recentes já apontam João Campos na liderança em cenários de intenção de voto para o Governo de Pernambuco. Em alguns levantamentos, o prefeito aparece acima de 50%, enquanto Raquel figura em segundo lugar, com percentuais entre 24% e 30%, a depender do instituto.
Apesar da vantagem numérica de João Campos, aliados da governadora destacam que Raquel vem ampliando sua densidade política, fortalecendo alianças no interior e acumulando índices positivos de avaliação administrativa, com aprovação acima de 60% em algumas sondagens.
Diante desse quadro, Lula se vê numa encruzilhada. Um apoio explícito a João Campos poderia consolidar a aliança com o PSB, mas ao mesmo tempo abriria conflito com o PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab e que se tornou uma das maiores forças políticas do país em número de prefeitos e bases municipais.
Raquel Lyra, inclusive, já teria defendido diretamente com Lula a necessidade de neutralidade no primeiro turno. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o presidente pode optar por não subir em palanques em Pernambuco nessa primeira fase, evitando desgaste e preservando canais com os dois grupos.
A ausência do presidente no Carnaval do Recife, por exemplo — que chegou a ser cogitada como gesto político em favor de João Campos — foi interpretada como sinal de que Lula deve evitar exposição direta no estado durante a pré-campanha.
Outro fator que complica a equação é a divisão interna do próprio PT em Pernambuco. Na Assembleia Legislativa (Alepe), parlamentares petistas mantêm boa relação com o governo Raquel Lyra, alguns com espaço político e alinhamento administrativo, fazendo defesa pública da gestão em temas estratégicos.
Já na Câmara Municipal do Recife, a lógica é diferente. Vereadores do PT têm maior proximidade com a gestão de João Campos e defendem o fortalecimento da aliança com o PSB, especialmente mirando a disputa estadual.
No centro dessa disputa, o objetivo principal do presidente é claro: garantir sua recondução ao Planalto em 2026. Para isso, Lula tende a evitar confrontos desnecessários com aliados estratégicos e partidos com grande estrutura nacional, como o PSD.
Em Pernambuco, o presidente pode optar por um caminho pragmático: não declarar apoio formal no primeiro turno, manter diálogo com os dois principais grupos e só se posicionar de forma mais objetiva no momento em que o cenário estiver consolidado.
Até lá, a pergunta que domina os bastidores permanece: de que lado Lula “Samba” em Pernambuco?





