
Olinda abriga o terceiro maior colégio eleitoral de Pernambuco, com cerca de 300 mil eleitores aptos a votar. Historicamente, o município exerce influência decisiva nas eleições para deputado estadual, deputado federal, senador e governador.
Trata-se de uma cidade que, pela sua importância política, deveria ser palco de debates qualificados, lideranças preparadas e fiscalização permanente do poder público. Entretanto, a realidade, por vezes, segue um roteiro bem diferente.
Ainda persiste em Olinda uma cultura política marcada pelo provincianismo e pelos resquícios do coronelismo, na qual a proximidade com o poder parece valer mais do que a capacidade de representar a população.
Em vez de independência, alguns preferem a conveniência. Em vez de coerência, escolhem a bajulação. Há figuras que, após conquistarem pouco mais de mil votos, passam a se enxergar como grandes estrategistas eleitorais.
Abandonam a postura crítica e assumem o papel de protagonistas de um espetáculo político que pouco contribui para o fortalecimento da democracia. O debate dá lugar à encenação. Na busca incessante por visibilidade, transformam-se em verdadeiros “bobos da corte”.
Basta surgir uma agenda da prefeita ou da governadora para que estejam entre os primeiros a aparecer diante das câmeras. Quem antes ocupava as redes sociais denunciando os problemas da cidade agora disputa espaço nas fotografias oficiais e nos vídeos institucionais. Os buracos desaparecem do discurso.
A precariedade dos serviços públicos deixa de ser pauta. As críticas são substituídas por elogios, homenagens e demonstrações públicas de fidelidade política. O fiscal se transforma em torcedor, e a independência dá lugar ao aplauso.
O mais preocupante é que esse comportamento empobrece o debate público. A política perde quando representantes preferem cultivar a própria imagem em vez de exercer o papel de fiscalização e cobrança que a sociedade espera.
O cidadão não elege animadores de plateia; elege pessoas para defender os interesses coletivos, fiscalizar o poder e cobrar resultados. A história política ensina que a bajulação raramente produz lideranças duradouras. Quem constrói a própria trajetória apenas à sombra dos poderosos dificilmente deixa legado.
Quando o palco se desfaz e os holofotes se apagam, resta apenas a lembrança de quem confundiu política com espetáculo e lealdade com submissão. Em uma democracia madura, há espaço para aliados e adversários.
O que não deveria haver é espaço para quem troca a independência pela conveniência e acredita que estar sempre na foto é mais importante do que estar ao lado da população. Esse, talvez, seja o verdadeiro retrato do “bobo da corte” da política olindense.
Essa versão tem um tom mais próximo dos editoriais publicados pelos grandes jornais: crítica o comportamento político de forma mais institucional, sem direcionar a um nome específico, fortalecendo a opinião com argumentos em vez de ataques pessoais.





