
As fortes chuvas que atingem a Região Metropolitana do Recife voltam a expor um problema que está longe de ser novidade: cidades despreparadas para lidar com eventos climáticos cada vez mais intensos — e uma gestão pública que insiste em agir apenas depois do desastre.
Em poucos dias, o volume de chuvas já se aproxima de índices elevados para o período, pressionando uma infraestrutura urbana que há anos dá sinais de esgotamento. O resultado é o de sempre: ruas alagadas, trânsito caótico, serviços suspensos e a população, principalmente nas áreas mais vulneráveis, pagando a conta.
Municípios como Paulista e Olinda estão entre os mais afetados. Não é coincidência — é repetição. A cada inverno, os mesmos bairros enfrentam os mesmos problemas, revelando um padrão claro de negligência com obras estruturais de drenagem, contenção e planejamento urbano como o Canal do Fragoso que a anos se arrasta sem conclusão.
No Recife, os impactos também foram severos. Além dos inúmeros pontos de alagamento, uma tragédia marcou o início da nova gestão municipal do agora Prefeito Victor Marques (PCdoB): o desabamento de um casarão na comunidade do Pilar, que deixou mortos e feridos.
O episódio não pode ser tratado como uma fatalidade. Ele escancara o abandono de áreas de risco e a ausência de políticas eficazes de prevenção.
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) já havia alertado para a intensidade das chuvas, fenômeno comum neste período do ano. Ou seja, não faltou aviso — faltou ação.
E é justamente aí que está o problema central. As chuvas não são exceção, são previsíveis. O que se repete, ano após ano, é a incapacidade do poder público de transformar previsibilidade em prevenção.
Enquanto isso, a resposta segue sendo emergencial: equipes nas ruas após o caos instalado, medidas paliativas e promessas que dificilmente se sustentam até o próximo inverno. A conta, como sempre, recai sobre a população.





