
A fala do vereador Biai (Avante), nesta quinta-feira, na Câmara Municipal de Olinda, em defesa da chamada “responsabilidade institucional”, não apenas revelou uma contradição política, como explicitou o esvaziamento deliberado da principal função do Legislativo: fiscalizar o Executivo. Ao liderar o discurso contra o impeachment e orientar votos da bancada que se autodeclara independente, Biai acabou institucionalizando a omissão como método.
Ao afirmar que a Câmara não pode abrir mão de suas prerrogativas constitucionais, o vereador constrói uma retórica que, na prática, não se sustenta. Prerrogativa constitucional não é apenas votar projetos ou evitar conflitos políticos é, sobretudo, fiscalizar, investigar e responsabilizar quando há indícios de irregularidades ou colapso administrativo. Quando a Câmara reconhece os problemas da cidade e, ainda assim, se recusa a agir, ela não preserva a institucionalidade: ela a nega.
A chamada bancada independente, também se revela um rótulo vazio. De independente, não tem nada. Ao fechar questão contra qualquer medida mais dura ao Executivo, esse grupo atua como linha auxiliar do governo municipal, garantindo blindagem política em nome de uma suposta estabilidade. Independência que só existe no discurso, mas desaparece no momento decisivo, é, na prática, submissão.
O apelo de Biai para que os vereadores não “votem por cisânias políticas” serve como cortina de fumaça para desviar o foco do essencial: a Câmara não fiscaliza. Não cobra, não investiga e não impõe consequências. Com isso, Biai normaliza a falta de fiscalização efetiva sobre o Executivo, mesmo diante de problemas públicos reconhecidos dentro da própria Casa.
Quem fez questão de lembrar dos problemas de Olinda, foi a vereadora Eugênia Lima, mas a postura dela reforça o cenário de complacência. Mesmo se dizendo oposição, reconheceu publicamente problemas graves na cidade, como a crise do lixo, mas votou contra o impeachment.
O que se viu na sessão foi a institucionalização do corporativismo. Sob o comando de Biai, a Câmara de Olinda abdicou do papel fiscalizador para assumir o de escudo político do Executivo. A retórica da responsabilidade serviu apenas para justificar a covardia institucional, enquanto a independência virou palavra de ocasião, usada para legitimar a omissão. Ao fim, restou claro que não faltam diagnósticos nem consciência dos problemas falta vontade política.
A Câmara sabe que Olinda enfrenta um colapso, mas prefere administrar o silêncio. E quando o Legislativo escolhe não agir, ele deixa de ser poder e passa a ser cúmplice.





